Cooncepções acerca da Ética

Concepções acerca da Ética
(Adaptado de Adolar Koch)

Tema complexo, a ética envolve ao mesmo tempo reflexões metafísicas e reflexões sobre os problemas concretos da vida cotidiana.
           O Dicionário de filosofia, de Nicola Abbagnano, define ética como a ciência da moral, ou ciência da conduta, que possui duas concepções fundamentais: uma que considera a ética uma ciência do fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada; e outra que se preocupa menos com o fim e mais com a investigação das questões que impulsionam a conduta humana. A primeira concepção busca entender qual a finalidade da vida, afirmando que o ideal para qual o homem se dirige é a felicidade. Nessa perspectiva, Aristóteles defendeu que os atos do homem racional devem ser virtuosos para que alcance a felicidade. Em sua obra Ética a Nicômaco, Aristóteles propôs que a alma moderada e racional deve evitar os extremos (o excesso e a deficiência) se quiser evitar o comportamento vicioso. Sua lista de virtudes inclui coragem, temperança, liberdade, magnanimidade, mansidão, franqueza e justiça, sendo esta última considerada a maior de todas. Essa concepção foi desenvolvida por numerosos outros pensadores ocidentais. 
                Idade Média, por exemplo, permaneceu fiel a ela com São Tomás de Aquino, que imaginou Deus como o fim último do homem, princípio esse do qual deriva sua doutrina da felicidade e da virtude. Já para Hegel, que segue a mesma concepção, o Estado era objetivo da conduta humana, esse Estado é a totalidade ética, o ápice do que ele designa como eticidade. Mesmo criticando a moral vigente no século XIX, também Nietzsche propôs uma doutrina que, estruturalmente, mantinha a noção de ética como ciência do fim. Mas para ele, novas virtudes que diriam sim à vida e ao mundo: altivez, alegria, saúde, amor sexual, inimizade, guerra, vontade forte, disciplina intelectual, entre outras. Como esse filósofo inverteu toda a moralidade então vigente, fruto da religião e da tradição, costuma-se dizer que Nietzsche é imoralista. Certamente, a postura nietzschiana quanto à ética é profundamente distinta da ocidental-cristã. Já a segunda concepção da ética investiga as motivações das ações humanas, e não essas ações propriamente. Alguns filósofos chegaram a dizer que o móvel da conduta dos homens (o que faz seguirem regras) era o desejo de sobreviver; outros que a motivação humana era o prazer; outros, ainda, que era a auto conservação.
             Mas a definição de ética como ciência da moral não é aceita por todos. Nelson Saldanha, em seu livro Ética e História, pensa ser um equívoco definir ética como ciência. O autor recusa-se a aceitar a ética como um modelo abstrato de normas categóricas e prescritivas e dá a entender que não há apenas uma ética, mas éticas diferentes conforme os distintos agrupamentos humanos. Segundo essa definição, ética é um conceito histórico e relativo, isto é, histórica e socialmente situado. Mas o autor distingue a moral e a ética universais, inerentes ao ser humano, das experiências éticas específicas de cada contexto histórico. De forma mais abrangente, Saldanha define ética como o conjunto de todas as formas de normatividade vigentes nos agrupamentos humanos. Conceito que concilia, assim, a postura mais universal de que todos os seres humanos têm ética e a postura histórica, que diferencia as múltiplas experiências éticas de diferentes culturas.
  
Livro: Dicionário de Conceitos Históricos; Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva (Editora Contexto).

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